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AMATRA 10 realiza o 21º Encontro Anual da Magistratura do Trabalho da 10ª Região.

A Associação dos Magistrados da Justiça do Trabalho da 10ª Região (Amatra10) promoveu com sucesso o 21º Encontro Anual da Magistratura do Trabalho da 10ª Região na cidade de Lima, Peru, entre os dias 11 e 15 de outubro de 2023. Com o tema "Os Desafios para a Promoção do Trabalho Decente no Peru e Brasil", o evento se destacou como um fórum importante para que os magistrados pudessem debater questões laborais relevantes em ambos os países.

O ponto alto do encontro foi a Conferência de Abertura, ministrada pela Dra. Jackeline Yalán Leal, Juíza Superior e Presidenta da Sala Laboral Permanente do Tribunal Superior de Lima Norte. A Dra.Jackeline Leal apresentou uma análise abrangente da atual situação do mercado de trabalho no Peru, examinando a estrutura do Poder Judiciário local e detalhando as principais medidas tomadas para o fortalecimento da proteção social dos trabalhadores peruanos.

Os participantes do evento também tiveram a oportunidade de visitar o Tribunal Superior de Lima Norte, onde puderam testemunhar em primeira mão o funcionamento do sistema judicial peruano, com destaque para a implementação da Nueva Ley Procesal del Trabajo (NLPT, n. 29947). A visita ofereceu aos magistrados brasileiros uma visão detalhada do sistema legal peruano.

Seguindo a programação do evento, foi realizada uma visita à Corte Suprema de Justiça da República, onde os magistrados da 10ª Região do Trabalho desfrutaram de uma conferência proferida pelo Dr. Javier Arévalo Vela, Presidente da Corte e do Poder Judicial Peruano.

Ao final da conferência, a Amatra10 foi homenageada com uma medalha como lembrança do evento.

A Amatra10 expressa seus sinceros agradecimentos aos colegas magistrados peruanos pela calorosa e fraterna recepção proporcionada aos participantes do 21º Encontro Anual.

AMATRA 10 presente na posse do presidente do STF e CNJ

Em 28 de Setembro de 2023, o Presidente da AMATRA 10, Juiz Rossifran Trindade Souza, esteve presente na cerimônia de posse do novo Presidente do STF e CNJ o Ministro Luís Roberto Barroso. A presença da AMATRA 10 reflete a unidade e o respeito entre os diferentes ramos da magistratura brasileira, ressaltando a importância do trabalho conjunto em prol do Estado de Direito e da justiça para todos os cidadãos do país.

Neste novo ciclo que se inicia no STF e no CNJ, a expectativa é que a justiça e a equidade continuem sendo valores fundamentais na construção de um Brasil mais justo e democrático.

Igualdade de gênero, Judiciário e democracia: o perigo de uma história única

É necessário reconhecer a importância de momentos que possuem a força de fazer história.

O regramento pelo CNJ de uma política judiciária de alternância de gênero no preenchimento de vagas para os colegiados da segunda instância do Poder Judiciário, é um desses momentos. Trata-se da possibilidade de instituição de política provisória, ação afirmativa e transformativa, para a correção histórica da desigualdade de gênero, que contará com o devido monitoramento do Conselho e cessará quando for possível reconhecer que a igualdade se apresenta como uma realidade no Judiciário brasileiro. 


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Carolina Costa Ferreira e Noemia Porto Foto: Divulgação e Arquivo pessoal

O tema não é inédito. As discussões, desde 2018, ainda sob a Presidência da Ministra Cármen Lúcia, quanto à necessidade de participação feminina no Poder Judiciário, tiveram como justicativa a análise de dados da realidade, que apontam no sentido da desigualdade, da falta de representatividade, em contrariedade ao imperativo das previsões constitucionais e dos compromissos internacionais assumidos pelo Brasil (Resolução nº 255/2018, que instituiu a política nacional de incentivo à participação feminina no Poder Judiciário). A partir desses dados, é inviável, de boa-fé, naturalizar a ausência de mulheres em alguns tribunais do país ou a sua presença minoritária em muitos deles. As informações apresentadas no voto da Conselheira Salise Sanchotene, na última terça-feira, no plenário do CNJ, demonstram tal disparidade.

No contrafluxo da mudança necessária, há a defesa de que as alterações apenas poderiam ocorrer com a aprovação de uma lei, em sentido estrito. O argumento é supostamente técnico e neutro. Importante notar o esforço no sentido de questionar a competência do Conselho não foi apresentado quando benefícios foram reconhecidos à magistratura a partir da leitura principiológica da Constituição (como é o caso da Resolução nº 133/2011, que versa sobre a simetria entre a Magistratura e os membros do Ministério Público em relação a verbas e vantagens), ou quando foi estabelecida a oportuníssima política de cotas para pessoas negras (Resolução nº 203/2015). Afinal, benefícios para a magistratura e a política de cotas não alteram as posições atuais (status quo) do Judiciário. A política de cotas, especificamente, está direcionada aos problemas no ingresso da carreira, etapa distante das listas para promoção aos tribunais, que atualmente contam com a majoritária presença de homens brancos.

Para pensar desaos constitucionais, acaso fosse pertinente o argumento de uma análise estrita de texto, a competência do CNJ decorre da Constituição (art. 103-B), em relação à instituição de políticas públicas judiciárias. Para além disso, a criação do Conselho pela Emenda Constitucional nº 45 de 2004 foi resultado de amplo debate político, social e jurídico, no âmbito da Reforma do Poder Judiciário, justamente porque se reconhecia a necessidade de aperfeiçoamento de suas estruturas, para que estivessem voltadas aos primados da democracia, transparência e controle.

Chimamanda Ngozi Adichie, em vídeo muito conhecido chamado “O perigo de uma história única”, explica que “é assim que se cria uma história única: mostre um povo como uma coisa, como somente uma coisa, repetidamente, e será o que eles se tornarão”. O Judiciário brasileiro, hoje, conta uma história única: masculina, branca e heteronormativa, especialmente em fotos de colegiados completos de segundo grau ou em galerias de fotos de ex-Presidentes de Tribunais. A história única é incômoda e, infelizmente, facilmente compreendida. Adichie continua: “é impossível falar de uma história única sem falar em poder. Como as histórias são contadas, quando e quantas histórias são contadas, tudo realmente depende do poder. Poder é a habilidade de não só contar a história de uma outra pessoa, mas de fazê-la a história denitiva daquela pessoa”. Segundo Adichie, a palavra nkali, em igbo, signica “ser maior do que o outro”.

A igualdade não é uma questão de tempo. Nunca foi. É um tema que exige coragem para a mudança e para interferir nas estruturas de poder.

O CNJ, agora sob a presidência da Ministra Rosa Weber, em tal debate, não altera critérios constitucionais de alternância entre antiguidade e merecimento para a promoção de magistrados. Promove, isto sim, uma releitura constitucionalmente adequada desses critérios para compatibilizá-los com a urgência na realização da igualdade de gênero que não se resolve apenas no ingresso (que ainda é problemático), mas também na garantia de acesso às demais posições de poder das mulheres magistradas. Reescreve-se a história única, dando a ela diferentes caminhos, diferentes possibilidades de escolha de quem terá o poder de revisar decisões de primeira instância. Mudam-se as estruturas de poder e, com isso, ampliam-nas a outros corpos, outras vozes, a possibilidade de contar diferentes histórias.
A Constituição, no tema, não carrega nenhum silêncio eloquente acerca dos critérios de gênero para a análise da antiguidade e do merecimento na magistratura brasileira. O texto (novamente ele) não precisaria trazer essa previsão porque a repetição seria desnecessária. A dimensão democrática de direito, inaugurada em 1988, fez clara opção pelo valor da igualdade – material, de não ser “maior do que o outro” – como forma de respeito às diferenças e de inclusão permanente dos grupos não devidamente representados nas esferas públicas e privadas. Uma igualdade
desafiadora, que não diz respeito a cromossomos, genéticas ou naturalizações, mas, sim, que se contrapõe às estruturas que acomodam práticas de prestígio e privilégio a uma forma de magistratura: do homem, branco, católico e pai (tal como consta no Perl Sociodemográfico da magistratura brasileira divulgado pelo CNJ em 2018).

A diversidade e a representatividade não são um benefício para as mulheres, mas uma condição para a democratização do Judiciário brasileiro. A promoção da igualdade de gênero que está sendo discutida no CNJ consiste em mais uma oportunidade de não se ater a uma história única.

 
* Carolina Costa Ferreira, advogada. Doutora em Direito, Estado e Constituição (UnB). Professora universitária (IDP e CEUB)
* Noemia Porto, juíza do Trabalho. Doutora em Direito, Estado e Constituição (UnB).Professora universitária (UniProcessus e IDP). Ex-presidente da ANAMATRA


Fonte: Estadão
25 de setembro de 2023
https://www.estadao.com.br/politica/blog-do-fausto-macedo/igualdade-de-genero-judiciario-e-democracia-o-perigo-de-uma-historia-unica/

A Juíza Solyamar Soares toma posse como titular da vara de Guaraí-TO

No dia 12 de setembro de 2023, um momento memorável e emocionante! A Juíza do Trabalho Solyamar Dayse Neiva Soares assumiu a Titularidade da Vara de Guaraí-TO. Foi uma cerimônia marcada por homenagens da AMATRA10, que reconheceu a incrível trajetória da juíza sempre repleta de profissionalismo, competência e dedicação à Justiça do Trabalho. O Presidente da AMATRA10 expressou os melhores votos de sucesso para a nossa querida juíza e associada nesta nova e promissora etapa de sua carreira.

foto juizapq

O TJC e a Justiça do Trabalho: Direito se conquista com a Educação

Nos dias 22 a 31 de maio de 2023 foi realizado o curso de capacitação de professores e multiplicados do Programa Trabalho, Justiça e Cidadania de 2023.

A abertura contou com a participação do Presidente da Amatra10, o Juiz Rossifran, a Diretora da Gerência de Educação em Direitos Humanos e Diversidade (GDHD) da Secretaria de Educação do DF, Patrícia Melo, e do palestrante o Min. Alberto Balazeiro, participam professores de cerca de 20 escolas do DF, além de outras quatro instituições de aprendizagem, de acolhimento do trabalhador imigrante, Associação dos Acadêmicos Indígenas da Universidade de Brasília e do Colégio Santa Doroteia de Brasília.

Esse ano temos como Temática Nacional: "O TJC E A JUSTIÇA DO TRABALHO: DIREITO SE CONQUISTA COM A EDUCAÇÃO”. As palestras foram ministradas também pelas Juízas do Trabalho Juíza do Trabalho Natália Queiroz Cabral Rodrigues, Audrey Choucair Vaz, Ana Cristina da Silva, pela coordenadora do programa TJC, Katarina Mousinho, e pela médica do trabalho Simone Carvalho Roza.

Acesse nossa página do TJC

Nota de Repúdio

A Associação dos Magistrados do Trabalho da 10ª Região (Amatra 10), entidade que representa magistrados (as) trabalhistas ativos (as), aposentados (as) e pensionistas do Distrito Federal e Tocantins, vem a público exteriorizar seu repúdio e indignação aos tristes e condenáveis ataques à democracia a partir das inaceitáveis invasões ao Supremo Tribunal Federal, Palácio do Planalto e Congresso Nacional, ocorridas em 08.01.2023, com injustificável destruição do patrimônio publico.

A liberdade de expressão deve ser exercida nos limites das molduras constitucionais, não se confundindo com manifestações de violência, vandalismo, atentados à ordem pública e graves ameaças à democracia.

A Amatra 10 acredita e defende de forma intransigente a democracia, confiando que as instituições da República Federativa do Brasil identificarão e responsabilizarão todos aqueles que, por ação ou omissão, lamentavelmente participaram dos atos antidemocráticos.

Cristiano Siqueira de Abreu e Lima
Presidente da Amatra 10

Culminância do projeto Mulher, Trabalho e Sociedade

No dia 10/12/2021, sexta-feira, será realizada a Culminância do Programa TJC – Trabalho, Justiça e Cidadania, com a temática principal do projeto: Mulher, Trabalho e Sociedade. Promovido pela Associação dos Magistrados da Justiça do Trabalho da 10ª Região – AMATRA 10, em parceria com a Secretaria de Educação do Distrito Federal e com o patrocínio da Caixa Econômica Federal.

 E teremos a participação de Magistrados/as, Professoras/es, representantes da Secretaria de Educação, Caixa Econômica Federal e serão apresentados os trabalhos das escolas da rede pública do Distrito Federal que integram o Programa.

Para quem quiser assistir, a Culminância será a partir das 9h, pela plataforma Zoom, pelo link: https://us02web.zoom.us/j/89202689493?pwd=VUtTaFlrZHluUWFZUFFiNkNjYVh5UT09 e depois estará disponível nas redes sociais da Amatra 10, no Youtube, Instagram e Facebook.

O Programa conta com o patrocínio da Caixa Econômica Federal, fortalecendo a cidadania e aproximando a Magistratura e a Justiça da Sociedade!

@amatra#tjc#trabalhojustiçaecidadania#direitodotrabalho#anamatra #caixaeconomicafederal

 

Palestra: 80 anos da Justiça do Trabalho e 75 anos da Justiça do Trabalho no Poder Judiciário

Será realizada no dia, 4/8/2021 às 17h30min pelo Canal da Amatra 10 no Youtube.

Curso de Capacitação dos/as Professores/as do Programa TJC - inscrições abertas

Estão abertas as inscrições para a capacitação de professores do Programa TJC – Trabalho, Justiça e Cidadania da Amatra 10/Anamatra.

Você sabe o que é o TJC? É um programa pelo qual a Magistratura do Trabalho forma professores em temas relacionados ao direito do trabalho, outros direitos fundamentais e questões interessantes do mundo do trabalho. Depois da formação, os professores trabalham os temas com os alunos das mais variadas formas. Em seguida, os Magistrados e Magistradas visitam as escolas, tirando dúvidas; os/as alunos/as visitam os foros da Justiça do Trabalho para assistir audiências e ver o funcionamento da Justiça, e ao final, faz-se uma culminância dos trabalhos feitos, como apresentações musicais, de dança, poesia, teatro, etc.

O Programa Trabalho, Justiça e Cidadania iniciará em 07 de junho o curso de capacitação dos professores de ensino fundamental (últimos anos) e médio, preferencialmente da rede pública, Sesc/Senai, instituições sem fins lucrativos, etc. O curso terá 10 (dez) aulas on line, às segundas e terças-feiras, de 19h15min às 20h45min. Cada dia terá um tema e professor diferentes.

Se você é professor da rede pública do DF, inscreva-se, entre em contato com a Gerência de Direitos Humanos e Diversidade da Secretaria de Educação do DF.

Se você é professor do SESC, Senac, Sesi, ou outras instituições públicas ou sem fins lucrativas, inscreva-se mediante envio de email para Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo..

O curso é gratuito.

Vamos participar?

Artigo destaca os efeitos da pandemia sobre os trabalhadores

A pandemia, o trabalho e a política da morte

Por Francisco Luciano de Azevedo Frota, Juiz do Trabalho

(Artigo originalmente publicado no site Justificando, em 29/04/2021) 

A pandemia que está assolando o país, agravada sobretudo pela incúria de um governo que nega a ciência e que conspira contra medidas de prevenção, escancara para os olhos nus e enviesados da sociedade a face mais impiedosa do capitalismo.

Não é verdadeiro afirmar que o vírus é democrático. Essa é mais uma das falácias ditadas pelos “deuses invisíveis” que dominam o mundo, para encobrir a carnificina a que o darwinismo capitalista submete aqueles que são tidos como excedentes pelo sistema.

O que dizer das pessoas que não têm acesso a bens coletivos vitais como a moradia, a alimentação, o saneamento básico, a assistência à saúde e o trabalho? E daqueles trabalhadores precarizados que não podem cumprir regras de isolamento, pois precisam “fazer o seu corre” para o comer do dia? Como bem pontua Ricardo Antunes [1], a classe trabalhadora vive sob intenso fogo cruzado, entre a fome e o vírus, mostrando que a letalidade pandêmica tem classe social, com todos os ingredientes intercruzados de cor e de gênero.

Vivemos no Brasil os efeitos de uma economia que já adentrou à crise sanitária estagnada, com crescimento em 2019 de apenas 1,1%, e com o seu sistema de proteção ao emprego esfacelado pela reforma trabalhista de 2017 [2]. Atualmente, mais de 40% da classe trabalhadora brasileira sobrevive na informalidade [3], com quase seis milhões procurando escapar do desamparo absoluto submetendo-se às condições sub-humanas do trabalho por aplicativos e plataformas digitais.

Esses são os espaços de ocupações oferecidos pelo “éden” da desproteção trabalhista, cada vez mais situados no lócus da precariedade, obrigando aos que precisam do trabalho a viver da incerteza do hoje e da imprevisão do amanhã. E diante de uma pandemia letal, é esse trabalhador brasileiro sem nome, desguarnecido das travas de segurança, que morre nas filas dos hospitais porque não tem sequer o direito de se cuidar. É também ele que, premido pela necessidade, se vê compelido a engrossar o coro contra as medidas de isolamento social, insuflado pela ameaça cínica dos patrões de jogá-lo à miséria do desemprego. Mas quando a sua voz é calada pela fatalidade do vírus, não há sequer um grito de lamento, porque assim é a tragédia do capitalismo.

O Estudo do DIEESE publicado no seu boletim “Emprego em Pauta” de outubro de 2020 [4], baseado nas informações da PNAD Contínua do IBGE, mostra que a pandemia está atingindo, sobretudo, os trabalhadores mais precarizados e de menor renda. Cerca de 13% dos trabalhadores ocupados no primeiro trimestre de 2020 perderam o seu posto de trabalho no trimestre subsequente, sendo os mais atingidos: os que percebem até um salário-mínimo mensal; os trabalhadores domésticos e do setor privado sem carteira de trabalho assinada; os menos escolarizados; os negros; e as mulheres.

O filósofo marxista István Mészaros, analisando a obsessão expansionista do capital e a sua fúria destrutiva, que a tudo submete, inclusive a vida humana, sintetiza bem a crueldade do modus operandi desse sistema de produção: “Seres humanos são, ao mesmo tempo, absolutamente necessários e totalmente supérfluos para o capital. Se não fosse pelo fato de que o capital necessita do trabalho vivo para sua autorreprodução ampliada, o pesadelo do holocausto da bomba de nêutrons certamente se tornaria realidade. […]”. (2011, 18.2.3, cap. 18.2 Das crises cíclicas à crise estrutural) [5]

Para o capital, tudo é mercadoria, e a roda do mundo apenas gira em torno dos imperativos da sua autorreprodução. É assim com o meio ambiente, com a força de trabalho e com a própria vida humana, todos sujeitos ao descarte e à destruição.

A pandemia está desnudando a perversidade desse sistema, e mostrando que, por trás dos discursos de defesa da economia, destila-se, na verdade, o desvalor pela vida de quem efetivamente produz valor. Assim como ocorreu na ufanada Guerra do Paraguai, em que escravos foram jogados nos campos de batalha para que o país cantasse as suas glórias, os trabalhadores estão sendo acuados para ocupar a linha divisória da morte e defender os lucros do capital, numa prova candente dessa lógica do descarte inerente à ideologia capitalista.

Não é à toa que a Covid-19 se tornou a principal causa de afastamento de trabalhadores em 2021, com mais de 13 mil em situação de incapacidade temporária causada pelo vírus apenas no primeiro trimestre do ano, segundo dados da Secretaria de Previdência e Trabalho do Ministério da Economia. [6]

Mas nada disso surpreende. É apenas mais um capítulo na extensa produção da morte patrocinada pelo capitalismo para eliminação dos indesejáveis ao sistema, como ocorre no extermínio das pessoas negras e pobres da periferia das grandes cidades, no genocídio dos povos originários, na destruição ambiental, no encarceramento em massa, bem como na superexploração da força de trabalho, que indigna, miserabiliza, exclui e mata.

Gabriel Miranda, cientista social e pesquisador, com mestrado e doutorado na área de Psicologia, em seu livro intitulado Necrocapitalismo: ensaio sobre como nos matam [7], descreveu com proficiência o que representa a vida humana no modo de produção capitalista: 

o corpo é moldado para servir ao capitalismo e, depois, quando se encontra sem utilidade, é descartado. Trata-se de um corpo-objeto, um corpo-mercadoria, e não um corpo-vivente. Não há espaço, no capitalismo, para que a vida dos trabalhadores e das trabalhadoras adquira uma posição de centralidade, pois tal sociabilidade [do capitalismo] produz o apagamento do ser, reduzindo-o a mera força de trabalho a ser explorada.” (2021, p.83)  

Essa é a lógica subjacente do discurso oficial que desfila pelas redes da negação e da desinformação, produzindo violência; a mesma que minimiza os efeitos da pandemia para defender o capital em detrimento da vida, e que propaga, insanamente, impropérios descivilizatórios como “bandido bom é bandido morto” e “cidadão livre é cidadão armado”.

Portanto, estamos diante da morte como política, ou da necropolítica, como tratada pelo cientista político camaronês Achille Mbembe [8], e que Gabriel Miranda [9] denomina de necrocapitalismo, por considerar o termo mais adequado para definir “o caráter sistêmico de produção da morte no capitalismo” (2021, p. 26).

No mundo do capital não há espaço para os valores humanos intrínsecos. A vida humana só importa enquanto servir aos propósitos de acumulação de riquezas, e a pandemia apenas escancara essa realidade.

 Como escreveu Jamil Chade [10], “mais de dois bilhões de seres humanos vivem no que o Programa das Nações Unidas para o desenvolvimento (PNUD) chama de ¨miséria absoluta¨, sem renda fixa, sem trabalho regular, sem moradia adequada, sem cuidado médico, sem alimento suficiente, sem acesso à água potável, sem escola”. A fome é a maior causa de morte no planeta e a cada cinco segundos uma criança com menos de dez anos morre em razão da inanição. [11]

Precisamos urgentemente de um novo mundo, que nos faça humanos, iguais, livres e felizes, em que possamos conviver harmonicamente com a natureza e dela extrair os seus melhores frutos, tendo, assim, uma vida dotada de sentido. Claro que isso é possível, mas não virá sem luta.

Francisco Luciano de Azevedo Frota é juiz do trabalho – TRT-10ª Região e Membro da Associação Juízes para Democracia.


Notas:

[1] Antunes, Ricardo. Coronavírus, sob fogo cruzado, 1ª ed., São Paulo, Brasil: Boitempo, 2020

[2] Dados divulgados pelo IBGE aponta o crescimento do PIB em 2019 de 1,1%: 

[3] Dados oficiais do IBGE extraídos da sua página oficial na rede mundial de computadores

[4] https://www.dieese.org.br/boletimempregoempauta/2020/boletimEmpregoEmPauta16.html

[5] Mészaros, István.  Para além do capital: rumo a uma teoria de transição. São Paulo, Brasil: Boitempo, 2011.

[6] Segundo matéria publicada pelo site da CNN Brasil em 18/04/2021: https://www.cnnbrasil.com.br/saude/2021/04/18/covid-se-torna-principal-causa-de-afastamento-do-trabalho

[7] Miranda, Gabriel. Necrocapitalismo: ensaio sobre como nos matam, 1ª ed, São Paulo: Lavrapalavra, 2021

[8] Mbembe, Achille. Necropolítica:  biopoder, soberania, estado de exceção, política de morte. São Paulo: N-1 edições, 2018

[9] Miranda, 2021, p. 26

[10] Chade, Jamil. O mundo não é plano: a tragédia silenciosa de 1 bilhão de famintos. São Paulo: Saraiva: Virgília, 2009: p. 14

[11] Chade, 2009: p. 12. Informação trazida com base em relatório da FAO

Lançamento de livro - A Justiça Política do Capital

O Desembargador do Trabalho do TRT10, Grijalbo Fernandes Coutinho, está lançando seu mais novo livro. Com o título “Justiça Política do Capital – a desconstrução do Direito do Trabalho por meio de decisões judiciais”, a obra é resultado da tese de doutorado defendida e aprovada na FD/UFMG no final de 2020. O livro tem 752 páginas e tem desconto de 20% do preço na pré-venda. Não obstante, há versão Ebook disponível imediatamente sem custo adicional para quem adquirir a obra física.


Para fazer a compra, acesse o link https://editorial.tirant.com/br/libro/justica-politica-do-capital-a-desconstrucao-do-direito-do-trabalho-por-meio-de-decisoes-judiciais-grijalbo-fernandes-coutinho-9786559081127 .


Obra imperdível!


Parabéns ao Desembargador Grijalbo!

 

Novo Livro - Hibridização do controle difuso de constitucionalidade

O Juiz do Trabalho Vilmar Rego de Oliveira, Juiz Auxiliar da 1a VT de Brasília, está lançando seu livro cujo título é "A Hibridização do controle difuso de constitucionalidade". O livro é fruto do Mestrado que o Magistrado concluiu ano passado, em Portugal.

 

O livro está à venda pela Editora Lumem Juris, no link https://lumenjuris.com.br/search/hibridiza%C3%A7%C3%A3o .

 

Vale a leitura!

Nota de pesar - Falecimento do Ministro José Luciano de Castilho Pereira

NOTA DE PESAR

 

A Associação dos Magistrados do Trabalho da 10ª Região – AMATRA 10, por sua presidente, vem a público externar seu profundo pesar pelo falecimento de seu associado, o Ministro Aposentado do Tribunal Superior do Trabalho, JOSÉ LUCIANO DE CASTILHO PEREIRA, ocorrido ontem (19/04/2021), na cidade de Brasília/DF.

 

Os Magistrados e as Magistradas da Amatra-10 recebem com tristeza e consternação a notícia do falecimento. O Ministro José Luciano foi fundamental não apenas para o associativismo da Amatra 10, entidade da qual é associado fundador, mas também para a história da Justiça do Trabalho. Homem gentil, bem-humorado, dedicado e experiente, encantava e inspirava todos que o conheciam, sempre construindo relações marcadas pelo diálogo e respeito.

 

Extremamente saudosos da convivência com o Dr. Luciano, os Associados e Associados da Amatra 10 pedem a Deus que console o espírito dos familiares e amigos, e que sua misericórdia, receba o Ministro José Luciano de Castilho Pereira.

 

Brasília/DF, 20 de abril de 2021.

 

Audrey Choucair Vaz

Presidente da Amatra 10

Iniciada a votação eletrônica para a Diretoria Executiva e Conselho Fiscal da Amatra 10 - biênio 2021/2023

Foi aberta hoje, dia 16/4/2021, às 10h,  a votação eletrônica para a Amatra 10, diretoria executiva e conselho fiscal, biênio 2021/2023.

A votação é muito simples, pode ser realizada em 1 a 2 minutos. 

Recomenda-se aos associados e às associadas o voto eletrônico, que é mais fácil e seguro. É muito importante a legitimação e apoio aos candidatos, pois os desafios que se avizinham são enormes.

É possível votar no site da Amatra 10 ou no aplicativo de telefone celular. Para ambos, exige-se login com CPF e senha. Caso não tenha feito ainda seu cadastro, entre em contato com a Secretária da Amatra 10 para saber mais informações. 

Há apenas 1 (uma) chapa escrita para a eleição à diretoria executiva e 4 (quatro) candidatos inscritos ao Conselho Fiscal. Há opção de voto em branco. Para o Conselho Fiscal, o eleitor deverá escolher 3 (três) entre os 4 (quatro) candidatos. Registra-se que a opção dos candidatos na cédula eleitoral eletrônica observou a ordem de inscrição. 

Para fazer a votação no site, basta entrar na área do associado, que fica no menu principal e superior do site, ao lado direito da tela. Após inserir login e senha, escolha a opção "votações", em seguida a opção "eleição Amatra 10 para o Biênio 2021/2023". Em seguida, será aberta a opção para a chapa. Após clicar nas opções escolhidas, clique em "confirmar" . Ao confirmar o voto, aparecerá a mensagem "seu voto foi computado com sucesso". 

Para fazer a votação no aplicativo de telefone, basta entrar no aplicativo - que antes deve ser baixado nas lojas virtuais IOS/ANDROID - e clicar na opção em laranja na parte de baixo da tela, com o título "Eleição AMATRA 10 para o Biênio 2021/2023". Na tela seguinte, na parte de baixo da tela e em vermelho está a opção "Votar", que deve ser clicada. Na tela seguinte, clique em "iniciar", depois faça a escolha pela chapa ou voto em branco e clique na seta verde na parte inferior da tela. Na tela seguinte escolha os membros do Conselho Fiscal, e da mesma forma, clique na seta verde na parte inferior da tela, e por fim, na última tela, clique em "confirmar". Ao confirmar o voto, aparecerá a mensagem "seu voto foi computado com sucesso". 

No voto eletrônico, assim como no voto por sobrecarta, há total garantia de sigilo. A comissão eleitoral, a Presidente da Amatra 10 e a própria desenvolvedora do aplicativo só terão acesso a quem votou - até para evitar voto em duplicidade, ou seja, uma pessoa votar eletronicamente e por sobrecarta -, mas nunca ao conteúdo do voto, está bem? Fiquem tranquilos para exercer o direito ao voto com total liberdade. E, por fim, ao votar eletronicamente não é possível posteriormente alterar o voto ou votar de novo.

O voto de cada um de nós e importante para construir um belo capítulo no livro da nossa história associativa. Contamos com cada voto, cada associado/a!

 

 

 

 

Nota de Pesar - Falecimento da Juíza do Trabalho Silvia Mariozi dos Santos

NOTA DE PESAR

 

A Associação dos Magistrados do Trabalho da 10ª Região – AMATRA 10, por sua presidente, vem a público externar seu pesar pelo falecimento de sua associada, a Juíza do Trabalho aposentada, SILVIA MARIOZI DOS SANTOS, ocorrido na presente data, na cidade de Brasília/DF.

Os Magistrados e as Magistradas da Amatra-10 recebem com tristeza e consternação a notícia do falecimento. Silvia foi mulher de personalidade marcante, pessoa extremamente culta e inteligente, corajosa, dedicada ao trabalho, e que defendia com vigor os seus ideais.

Saudosos da convivência com Silvia, os Associados e Associados da Amatra 10 pedem a Deus que console o espírito dos familiares e amigos, e que em Sua misericórdia receba a Magistrada Silvia Mariozi dos Santos.

Brasília/DF, 27 de março de 2021.

Audrey Choucair Vaz

Presidente da Amatra 10

Aplicativo AMATRA10

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Aplicativo AMATRA10